quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Livro e o Conhecimento


Como já é sabido por vocês leitores, o nosso projeto tem como objetivo a produção de um livro para-didático sobre história regional; e também temos a audácia de dizer que estamos produzindo um material para suprir pelo menos em partes a carência de um material alternativo no estudo e consulta da identidade regional.
Algo tão importante e belo como o livro e o conhecimento não foram sempre retratados com a devida importância. Houve uma época em que a Igreja Católica demonizava o conhecimento, ora quem pudesse ter acesso a livros que instigassem o questionamento do Teocentrismo poderia vir a se rebelar contra a Igreja. Assim  a Santa Inquisição destruiu grandes obras e censurou tantas outras, através do Index. O livro e filme homônimo  “O Nome da Rosa” retrata bem esse lado temeroso em relação ao poder da leitura como fonte de transformação social e pessoal.
Uma olhadinha rápida!

Hoje vivemos em um mundo que nos rodeia de informações – nem sempre relevantes, é claro – e nos oferece oportunidades de adquiri-las facilmente. Um bom exemplo disso pode ser visto na página do BambuíNau  onde eles listam essa mesma importância da leitura e oferecem um lugar onde encontrar bons livros,tudo isso por meio do projeto BIBLIOTECANDO que está sendo desenvolvido. Vale apena conferir!

domingo, 9 de outubro de 2011

Sertão, Campo Grande, Bambuí.


Olá pessoal, tudo bem? Nessa postagem falaremos sobre um trecho da história da nossa região, que já foi chamada de Sertão. Falaremos também sobre o Campo Grande, área que estava inserida no Sertão, famosa e temida por seus numerosos quilombos e bravos índios. Então, vamos lá.
Para começar, vamos explicar um pouco sobre o termo sertão. A palavra sertão pode ser encontrada em vários documentos do período colonial, e era usada para designar diversas áreas. O que essas áreas tinham em comum era o fato de estarem distantes do litoral e dos núcleos populacionais. Eram áreas rebeldes que precisavam ser dominadas, pois forneciam excelentes esconderijos para índios, quilombolas e fugitivos da lei que não contribuíam com impostos para a Coroa Portuguesa. O termo sertão refere-se também à ausência de traços culturais como, por exemplo, a inexistência de plantações.
Durante o século XVIII, a área que corresponde atualmente ao oeste do estado de Minas Gerais, bem como uma pequena parte do norte do estado de São Paulo e um trecho da região sudeste de Goiás era conhecida apenas por Sertão. O mapa a seguir nos mostra a sua localização aproximada:
Inserido no sertão estava o Campo Grande, região compreendida entre Tamanduá (Itapecerica), Alto Paranaíba e parte do Triângulo Mineiro. É importante ressaltar que os termos Sertão e Campo Grande eram usados genericamente e não forneciam com exatidão suas respectivas áreas ou localizações (nem mesmo os limites entre as comarcas e entre as próprias capitanias brasileiras estavam definidos no século XVIII). Segundo o pesquisador Warren Dean, em seu livro “A ferro e a fogo: a história da devastação da Mata Atlântica brasileira”, a região denominada Campo Grande teria aproximadamente 860 quilômetros quadrados de extensão.


Disputas pela posse do Campo Grande

A partir da segunda metade do século XVIII, após anos de intensa exploração, várias minas de ouro brasileiras já demonstravam fortes sinais de exaustão. Surgiu então a urgente necessidade de se encontrar novas terras para aumentar a exploração de ouro, aumentar a agricultura e incrementar a arrecadação de impostos para beneficiar a metrópole. Em função disso, várias expedições foram enviadas ao Campo Grande com o objetivo de desbravá-lo. Não foi encontrado ouro na quantidade desejada na região, mas em contrapartida desenvolveu-se no local uma intensa atividade agrícola. Isso pode ser confirmado nos relatos de viajantes que passaram pelo Campo Grande no século XIX, dentre eles o ilustre naturalista francês Auguste Saint-Hilaire, que encontrou a área devastada em função da agricultura. Com isso, podemos concluir que a região possuía um grande potencial para enriquecimento rápido e isso despertou a ambição de muita gente.
No decorrer do século XVIII, a posse do Campo Grande foi bastante contestada pelas capitanias de São Paulo e Goiás. Os mineiros alegavam ter desbravado e colonizado a região sozinhos, portanto, segundo eles, as terras do Campo Grande deveriam estar sob sua jurisdição. Como eram crescentes as tensões entre as capitanias, o governo de Minas Gerais se viu obrigado a tomar medidas para minimizar os conflitos na região. Dentre essas medidas, destaca-se a organização de expedições que tinham como objetivo a definição de fronteiras entre as capitanias, o que contribuía também com a diminuição do contrabando de metais preciosos devido à falta de fiscalização.

Itinerário feito pela comitiva do governador de Minas Gerais, Luís Diogo Lobo da Silva, que partiu de São João del Rei em setembro 1764. A expedição também contou com a participação do futuro inconfidente Cláudio Manuel da Costa, e foram percorridas 356 léguas em pouco mais de três meses. Preocupado com os problemas frequentes na região, Luís Diogo convida Inácio Correia Pamplona para liderar uma outra expedição com o intuito de procurar ouro, destruir os quilombos e os índios bravos do Campo Grande, bem como reestabelecer os limites entre Minas e Goiás, área rica em ouro.


É importante lembrar que os conflitos nas esferas oficias pela posse do Campo Grande favoreciam a sobrevivência dos índios e quilombolas que o habitavam. Para eles seria melhor se o Campo Grande estivesse sob domínio goiano, visto que a Capitania de Goiás era mais pobre e menos povoada que a de Minas Gerais. Além do mais, sua sede administrativa (atual Goiás Velho) estava mais distante da região, por isso não conseguiria manter vigilância constante sobre ela. Outro fato interessante refere-se às imagens criadas sobre os habitantes do Campo Grande: os índios, os quilombolas e os vadios. Essas imagens, que permaneceram no imaginário da população durante muito tempo, eram sempre negativas e usadas para negar o direito dos mesmos à terra.
Pessoal, é isso aí. Como pudemos perceber, o Campo Grande despertou a cobiça de muita gente com o objetivo de enriquecimento rápido e foi palco de diversas disputas de interesses. Caso queiram saber mais sobre a história da região e sobre seus habitantes, recomendamos a leitura da tese de doutorado da historiadora Márcia Amantino: “O mundo das feras: os habitantes do Sertão Oeste de Minas Gerais – século XVIII”. A dissertação é um documento muito completo sobre a história da região e dela retiramos muitas informações para a elaboração dessa postagem. Também recomendamos os livros “Nos confins do Sertão da Farinha Podre”, do jornalista Mário Lara, e “Bambuí nas trilhas da Picada de Goiaz”, do historiador bambuiense Lindiomar José da Silva.

Até a próxima!

domingo, 12 de junho de 2011

Visita ao Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco - parte II.

E aí galera, tudo bem com vocês ?
Acho que nós do Núcleo Bambuhy estamos em divida com vocês leitores, não é? Bom, esses últimos dias foram meio tumultuados e por isso atrasamos com as postagens. Mas agora chega de enrolar e vamos ao que interessa: Visita ao Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco - parte II.
O Museu do Carste fica localizado na entrada da cidade de Pains, é um local de fácil acesso e que vale a pena conhecer.  O Museu é de grande importância, pois abriga o material proveniente de pesquisas arqueológicas na região do Carste do Alto São Francisco e os expõe gratuitamente ao  público.
Foto do  Museu : 

A própria sede do MAC já é um edifício histórico. É Antiga sede de uma fazenda construída em fins do século XIX que foi toda readaptada para receber o Museu.
O museu é dividido por salas, onde são expostos os diversos materiais encontrados na região. Junto de cada material há o seu nome, descrição, local onde foi encontrado e a data aproximada em que foi construído.
Logo na entrada do Museu já demos de cara com essas duas maravilhas:
  
                        Ponta de flecha, tembetá e um machado polido.


Colar Indígena - Pingente de madrepérola feito sobre concha de marisco. 500 a 2000 anos antes do presente. Achado na Caverna da Cerâmica Pintada,Pains.
Nas paredes do Museu foram afixados textos explicativos sobre temas muito interessantes, como história e arqueologia da região


 Pontas de flechas:

                                              Pontas de flechas.
Alguns materiais em especial se destacam pela beleza e pelo cuidado com que foram construídos.

 Artefatos polidos: machados, mãos de pilão e percurtor.


                                                    Fragmentos de vasos.

Cerâmica de 500 a 2000 anos antes do presente.Achado na divisa de Córrego fundo e Pains.


Recipiente utilizado para cobrir urna funerária. Iguatama,500 a 2000 antes do presente.
O museu ainda conta com uma sala que simula uma caverna e outra utilizada para palestras e para passar vídeos sobre arqueologia nacional.

Amostras para análise. Posteriormente poderão fazer parte da exposição.


Possivelmente a peça mais bonita do MAC, este machado é a menina dos olhos do museu. Foi encontrada na zona rural de Iguatama –MG.
Antes de terminar, nós do Núcleo Bambuhy gostaríamos de deixar registrados dois agradecimentos especiais: ao professor Pablo Lima, que gentilmente nos convidou a fazer parte do grupo de visitantes por ele coordenado; e ao Gilmar Pinheiro, que vem realizando um trabalho excepcional como diretor do MAC e que fez de tudo para que nossa visita fosse o mais proveitosa possível. Valeu Pablo, valeu Gilmar!
Pessoal, é isso aí. Museu é um lugar muito importante, mas que às vezes as pessoas não dão o seu devido valor. Ter um museu tão bem estruturado em nossa região e tão próximo de nós é um benefício imenso e que deve ser desfrutado. A nossa sugestão é que vocês, leitores, visitem o museu, temos certeza de que vocês serão muito bem recebidos.
 Para conferir maiores informações sobre o MAC, acessem: http://mac-asf.blogspot.com/
Até a próxima!

sábado, 28 de maio de 2011

MAC – Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco (PARTE I )

Olá Camaradas!
Nesta última semana ocorreu um evento muito importante para o cenário da arqueologia mineira (e brasileira): a 9ª Semana de Museus, organizada pelo IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus. Em diversos museus espalhados por todo o país ocorreram atividades de exposição, cursos, seminários e visitas mediadas.
A equipe do Núcleo Bambuhy esteve presente em Pains – MG no dia 21 de maio de 2011, onde pudemos visitar escavações arqueológicas e também o MAC – Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco. Também estava presente um grupo de estudantes da UFMG levados pelo professor Pablo Lima, composto por alunos bolsistas do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência) das áreas de História, Geografia, Pedagogia e Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI). No grupo haviam duas índias xacriabá e uma aranã, Neide, referência em conhecimento sobre plantas medicinais.
Nessa postagem contaremos como foi a visita aos sítios arqueológicos Amargoso e Mané-do-Juquinha. Ambos são localizados na zona rural de Pains. Durante toda a nossa visita fomos guiados pelo arqueólogo e diretor do MAC Gilmar Pinheiro Henriques Júnior.
Primeiramente, vamos esclarecer um termo chave para a compreensão deste texto: a palavra Carste. Refere-se a um tipo de relevo geológico caracterizado pela dissolução química (corrosão) das rochas, que leva ao aparecimento de uma série de características físicas peculiares que serão mostradas ao longo desta postagem. A região denominada Carste do Alto São Francisco é a área conjunta de oito municípios do centro oeste de Minas Gerais: Pains, Arcos, Formiga, Córrego Fundo, Pimenta, Piumhí, Doresópolis e Iguatama.
Rochas Calcárias - O Carste é um tipo de paisagem comum em regiões onde ocorre muita rocha de calcário.
Agora sim, podemos continuar.
Em um primeiro momento, fomos levados até o sítio arqueológico pré-histórico Amargoso, localizado poucos quilômetros antes da entrada da cidade.
                                           Visitantes chegando ao local.
As escavações no local foram iniciadas há aproximadamente um mês e já foram encontrados no local objetos como restos de fabricação de ferramentas de pedra lascada, carvões, sementes de palmáceas queimadas e camadas de solo antropogênico (solo formado a partir da ação humana). Esses são indícios de que o local foi habitado em uma época muito distante por índios caçadores-coletores. Em sua dissertação de mestrado, Gilmar Henriques aponta dois grupos portadores de tradições ceramistas que habitaram  a região, Una e Sapucaí, e defende uma unicidade entre as duas tradições.  A dissertação pode ser baixada no link de teses da USP.
Escavação no sítio Amargoso:
Na imagem acima é possível observar ao canto direito uma lasca,possivelmente relacionada à confecção de ponta de flechas utilizadas por índios.
Gilmar Henriques explicando como é feita a separação de peças encontradas e como é o início de uma escavação (trabalho minucioso).
                          
Dolinas  – São depressões no solo, de feição circular, que captam as águas pluviais drenando-as para o lençol freático. A ocorrência de dolinas é freqüente em regiões cársticas.
Após a visita ao sítio arqueológico Amargoso, seguimos para o sítio Mané-do-Juquinha.
        Entrada do sítio: Pablo, Víctor, Luís Guilherme, João Pedro e Marcus.
No sítio há cavernas nas quais foram encontradas fogueiras com idades variando entre 700 e 500 anos, e em torno destas fogueiras pré-históricas foram encontrados fragmentos de vasilhames cerâmicos e ossos de animais e conchas de moluscos que foram consumidos pelos indígenas.
Ao longo do caminho é possível notar as rochas tipicamente presentes no carste:

                                          Corredor de pedras.
Infelizmente não foi possível chegar até a caverna, pois o local que dava acesso a ela estava alagado. Da próxima a gente volta de canoa.
                                                   Entrada alagada.
Uma galeria de fotos do sítio e das cavernas pode ser conferida no seguinte link: http://www.flickr.com/photos/40487938@N03/
É isso aí galera. Nossa próxima postagem será sobre a visita ao Museu do Carste. Esperamos que tenham gostado, até mais.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O velho oeste mineiro está aqui!

Somos alunos do IFMG - Campus Bambuí, bolsistas de um Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX - JR) ,orientados pelo Professor Mestre Marcus Caetano Domingos.
Serão estudados no projeto os grupos responsáveis pela formação da sociedade bambuiense e da região,como os indigenas, os negros quilombolas e os brancos colononizadores, e a importância exercida por esses grupos nas inúmeras transformações do espaço. O projeto nasceu de uma carência que a população de Bambuí e região tem de um material sobre a sua própria história e que seja acessível a todos.
Aqui serão disponibilizados textos e mapas analisando as diversas transformações que a região sofreu tanto  em caráter social e político e geográfico,dicas de livros,referências a trabalhos de outros pesquisadores enfim,um grande acervo regional poderá ser encontrado.

Bom,basicamente é isso. Esperamos que voltem sempre e apreciem nosso trabalho.